terça-feira, 6 de outubro de 2009


Eu sou o ódio, a raiva, e o ser mais desprezível que tu possas ter conhecido. Eu sou o mal, eu sou o terrível e o teu medo. Não me queres ver, não me queres tocar e nem me queres experimentar. Foges a sete pés de mim! Eu causo-te náuseas, vómitos, gritos de dor, amargura, pesadelos, lágrimas, loucura, pânico. Eu deixo-te de rastos, no fundo do poço, eu tiro-te vida, saúde e felicidade!

Eu sou o Diabo. O diabo também chora e não é feliz. É da frustração que tem nas veias, de não conseguir amar, de não conseguir ser amado. Ele não dorme. Só se sente bem a elaborar estratégias de maldade, e aí é alegre. Mas a verdadeira felicidade ele nunca a sentiu, porque ninguém o quer fazer feliz. Porque ninguém o quer ver feliz. O Diabo só sente o nosso gozo, o nosso ódio, o nosso manipular. O Diabo é feito de lágrimas, e de dor. Como pode ser feliz? Como posso ser eu feliz?

Sim, como posso ser feliz? Se nunca foste sincero, se as tuas palavras foram desaguar ao vazio do mar, se as juras de amor eterno eram falsas, se, à tua vista eu era a pior, se eu não passei de um brinquedo que manipulavas criando ilusões mais falsas que eu alguma vez vi. Eu aprendi, contigo, a mentira, o ódio, e outros sentimentos que eu nuca tinha experimentado, de tão sofridos que são.

Agora, meu amor, estou aqui. com uma corda presa na garganta. Sozinha de meus amigos e sonhos. Agora, estou aqui! Temível como o Diabo,e ainda mais sozinha que ele. Chorarei eternas lágrimas que formaram rios. Rios dos quais te sentarás à beira contente pescando e beijando outro alguém.

Agora meu amor, com o meu peito entrelaçado de tanta coisa para te dizer. Fico-me assim nesta tortura, e hei-de afogar todas estas palavras naqueles rios de lágrimas.

Afinal, o Diabo não passa de um anjo mal amado.
Tal como eu...

LF